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Dar um viés estratégico ao gestor de eventos é um dos principais desafios do setor para conseguir superar a dependência do ambiente macroeconômico. Mesmo sendo considerada uma tática de negócios, o orçamento para os eventos corporativos é o primeiro a ser cortado quando o País está em crise.

Apesar de uma percepção de melhora do mercado de eventos – entre 5% e 10% – no primeiro semestre do ano, com a Copa do Mundo FIFA e as eleições no segundo semestre, o resto do ano ainda é incerto. Para conseguir desvincular a demanda de eventos do desempenho econômico, ganhar um espaço de influenciador dentro da empresa será crucial.

“Precisa deixar de ser apenas o executor. Ele precisa se projetar na empresa e se colocar como um cara estratégico, mas para isso é necessário vencer os gargalos de profissionalização e atualização”, explicou o diretor-executivo da Associação Latino Americana de Gestores de eventos e Viagens Corporativas (Alagev), Eduardo Murad, durante o Meeting Planners Conference (MPC).

Essa profissionalização vai de ações de compliance, que incluem uma estrutura tributária adequada, contratos trabalhistas de acordo com a nova legislação e a gestão de riscos dos eventos até o desenvolvimento de métricas de retorno de investimento (ROI). A consultora em gestão de eventos, Paula Marins, afirma que se o setor quiser deixar de ser visto como uma área que não precisa de “expertise”, deve começar a prover medidas que ajudem as empresas contratantes a entender o real retorno do evento. Do lado contrário, a realização de pesquisas também é bastante importante para que o gestor consiga melhorar a performance da produção.

Segundo a especialista, esses levantamentos podem ser feitos antes, durante e depois do evento, seja para descobrir o que querem ou o que pode ser melhorado nas próximas edições. “Se tiver isso e não usar, está jogando informação preciosa no lixo”, diz ao enfatizar que não basta medir, mas também aplicar os resultados.

Mesmo que essas métricas e os objetivos do evento não sejam solicitados pela empresa realizadora do evento, ela destaca que cabe ao gestor dar a ideia e discutir o assunto. 

Aéreas

Outro desafio que as empresas terão pela frente é melhorar a relação com todos os players e fornecedores da cadeia. Hoje em dia uma questão muito debatida entre as promotoras é a falta de interesse das companhias pelo atendimento de grandes grupos. Isso, no entanto, é visto de uma forma diferente dentro das aéreas.

“Esse mito é igual ao que diziam no passado sobre as aéreas só terem interesse no público de lazer”, afirma o vice-presidente de vendas e marketing da Gol, Eduardo Bernardes. De acordo com ele, a companhia já possui alguns contratos que unificam as viagens corporativas e as de eventos – grande tendência no mercado. Agora, a ideia é que o grupo aumente. “É prioridade. Estamos trabalhando para que isso ocorra da melhor forma e o mais rápido possível”, diz.

Segundo Eduardo, a fidelização desse cliente corporativo representa um grande ganho. “Isso precisa acontecer. É necessário observar o cliente como um conjunto total. Tem empresas que o orçamento de eventos chega a ser metade do destinado para turismo corporativo”, exemplifica.

De acordo com ele, o que falta hoje é a aproximação entre o gestor de evento e a aérea. “Quanto mais a gente sentar com esse cliente, entender essa demanda, colocar ele em um calendário anualizado, melhor serão os resultados.”

Na explicação do vice-presidente comercial, de marketing e cargas da Avianca, Tarcísio Gargioni, lidar com o mercado de eventos é desafiador. Segundo ele, as companhias estão estruturadas para atender a malha aérea e não há aviões sobrando – desconsiderando os que vão para manutenção – devido ao alto custo que a ociosidade provoca. Isso, segundo ele, pode gerar um mal entendimento com os organizadores de evento, uma vez que nem sempre é possível deslocar uma aeronave fretada em qualquer lugar a qualquer hora. Para ele, com a tendência de aumento desta demanda, conseguir atender essa demanda imprevisível em uma estrutura fixa será um desafio para as companhias aéreas.

Segurança jurídica

Outro debate que exige atenção do setor é a criação de políticas de evento e de segurança claras e bem estruturadas, que possam dar garantias jurídicas às empresas.

De acordo com o sócio do Có Crivelli Advogados, Antonio Bratefixe, casos extremos – como acidentes de carro ou problemas de saúde de um participante de evento – são imprevisíveis, e se a companhia não estiver preparada para agir no momento certo, pode acarretar em problemas judiciais. “A responsabilidade civil é ampla e não fica apenas no primeiro estágio”, explica. / A jornalista viajou a Santa Catarina a convite da empresa.

https://www.dci.com.br/servicos/gestor-de-evento-deve-assumir-papel-estrategico-para-conseguir-crescer-1.708359