Gilmar Mendes diz que fatiamento da Lava Jato era 'desnecessário'

Publicado em 25/09/2015 às 22h12

FONTE: G1

STF enviou para Justiça de SP parte de investigação que estava com Moro.
Mendes também criticou o que classificou de 'gambiarras institucionais'.

Rosanne D'Agostino 

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta sexta-feira (25) que o fatiamento da Operação Lava Jato foi "desnecessário". A Corte decidiu na última quarta-feira enviar para a Justiça Federal de São Paulo parte das investigações, antes concentradas em Curitiba pelo juiz Sergio Moro. 

"Era desnecessário e não precisava chegar a esse ponto", afirmou o ministro. "Essa foi a posição que eu e o ministro Celso defendemos e me parece que essa era a posição correta." 

O ministro discursou para advogados em almoço do Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp) e depois concedeu entrevista coletiva.

Gilmar Mendes disse acreditar que a questão será rediscutida pelo STF, pois, segundo ele, outros investigados deverão se basear na decisão como argumento para novas análises pelo tribunal. "Há uma conexão pela própria prova, que é comum em todos os processos", defendeu. "Acho que nós vamos ter em algum momento que rediscutir esse tema." 

Nesta quinta, o juiz federal Sergio Moro evitou falar sobre o fatiamento, por se tratar de processo em andamento. Ao ser questionado sobre se o fatiamento prejudica a operação, o juiz federal afirmou que não se sente confortável em comentar a decisão do STF. 

"É o maior escândalo de corrupção do Brasil, quiçá do mundo. Acho que o tribunal terá que recompreender", completou Gilmar Mendes. 

No discurso, Mendes criticou o que classificou de "gambiarras institucionais". "O Brasil precisa encerrar a fase das gambiarras institucionais", disse. "De gambiarra em gambiarra é que estamos na situação econômica que estamos hoje. As pedaladas: as pedaladas nada mais são do que gambiarras."

Fatiamento

Na quarta-feira (23), o STF decidiu, por 7 votos a 3, remeter para a Justiça Federal de São Paulo parte da investigação relacionada a supostos desvios no Ministério do Planejamento. A apuração foi enviada por Moro ao Supremo por envolver a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR).

Na decisão, os ministros separaram a investigação em duas partes – uma específica sobre Gleisi Hoffmann, que ficou com Dias Toffoli – e outra relacionada ao ex-vereador de Americana (SP) Alexandre Romano (PT-SP), que, segundo as investigações, teria intermediado repasses de dinheiro oriundo do Planejamento em benefício da senadora. A investigação específica sobre ele é que sairá das mãos de Moro e ficará com a Justiça Federal de São Paulo.

Trata-se da primeira decisão do Supremo tirando de Moro a competência sobre apurações iniciadas a partir de depoimentos de delatores da Lava Jato, que colaboram com o caso em troca de diminuição de suas penas. 

http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2015/09/gilmar-mendes-diz-que-fatiamento-da-lava-jato-era-desnecessario.html

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