Home office é saída para ganhar tempo

Publicado em 04/02/2018 às 11h26

FONTE: FOLHA DE S.PAULO

 

 

Home office é saída para ganhar tempo

ANA LUIZA TIEGHI

FERNANDA REIS
DE SÃO PAULO


Trabalhar em casa não é só ficar de pijama e chinelo o dia todo. Para muitos adeptos do home office, o dia a dia profissional lembra a rotina de um escritório, mas com roupas mais confortáveis.

Para manter a produtividade, é essencial ter disciplina. Seja por meio de horários regrados para começar e terminar as atividades ou por um plano de metas, é preciso ter controle para não se distrair.

"Determino objetivos para completar no dia, mas é flexível. Muitas vezes tiro um tempo para alguma tarefa pessoal e trabalho até mais tarde depois", afirma o desenvolvedor web Luciano Baldicerotti, 26, que trabalha em casa há três anos.

Horários flexíveis e fuga do trânsito das cidades grandes resultam em mais qualidade de vida, vantagem exaltada por quem aderiu ao home office, trabalhando como autônomo ou em regime de teletrabalho (veja abaixo).

Gabriel Cabral/Folhapress
A publicitária Fabiana Guilherme, 30, trabalha em seu quarto e presta serviço para uma agência na qual todos fazem home office
A publicitária Fabiana Guilherme, 30, trabalha em seu quarto e presta serviço para uma agência na qual todos fazem home office


"Eu me desgastava demais, levava uma hora e meia para chegar ao trabalho todos os dias", diz a publicitária Fabiana Guilherme, 30, que há sete meses deixou uma agência para prestar serviço a uma empresa na qual os seis funcionários trabalham remotamente. "É tudo por Skype."

O estresse também levou a farmacêutica Lívia Teixeira, 28, a deixar há dois anos seu trabalho em uma indústria e a trabalhar em casa como coach, com foco no atendimento a pessoas com fibromialgia. "Agora sou outra pessoa, antes eu chorava todos os dias, chegava às 7h30 no trabalho e ficava até as 20h, e o ambiente era horrível."

Seu pai, empresário, e sua mãe, professora de inglês, também trabalham em casa, o que a ajuda a não se sentir sozinha. "Às vezes fico solitária, aí converso com eles."

O isolamento é a principal reclamação de Fabiana sobre o home office. Ela divide uma casa em São Paulo com mais duas pessoas e trabalha em seu quarto. "Chega uma hora que cansa ficar o tempo todo lá. Se você tem uma sala em casa só para trabalhar, é mais tranquilo."


Rafael Hupsel/Folhapress
A analista de marketing Melissa Sliominas, 39, no quarto onde trabalha de forma remota há dois anos
A analista de marketing Melissa Sliominas, 39, no quarto onde trabalha de forma remota há dois anos

 

Por parte dos empregadores, o corte de custos com espaço físico é justificativa para adotar o teletrabalho. Foi o que motivou a empresa de TI em que a analista de marketing Melissa Sliominas, 39, trabalha a adotar o home office. Ela deve cumprir uma carga horária semanal de trabalho, como se estivesse no escritório, mas tem flexibilidade para definir seus horários. Todos os dias, marca o começo e o término do expediente num aplicativo.

Sua dica é não se esquecer de que haverá cobranças por resultados. "Se não tiver disciplina, você se perde, porque tem a geladeira, o cachorro, a televisão", afirma.

Ela vai ao escritório às sextas, quando encontra seus colegas. "O pouco contato visual é um ponto negativo de ficar em casa para quem é mais olho no olho, como eu."

A empresa forneceu o computador e paga R$ 100 por mês para ajudar na conta da internet. Esse auxílio não é obrigatório em lei e depende de acordo entre empregado e empregador.

Atendente remota de call center da Gol, Cristina Mariano, 44, procurou o emprego já pensando em ficar em casa. "Perdia quatro horas no trânsito", afirma. Agora ela trabalha em um escritório montado na residência, com horário fixo. Equipamentos, internet e telefone necessários para a função são de sua responsabilidade. "É como se eu saísse pra trabalhar, mas fico perto dos meus filhos."

http://www1.folha.uol.com.br/sobretudo/carreiras/2018/02/1955266-home-office-e-saida-para-ganhar-tempo.shtml 

Política de home office é vantajosa para empresa

ANA LUIZA TIEGHI

FERNANDA REIS
DE SÃO PAULO

Para empresas que oferecem programas de home office aos funcionários, as vantagens de ter equipes trabalhando de casa superam os problemas. "A prática permite a otimização das atividades e a redução de custos", afirma Eduardo Almeida, presidente da empresa de tecnologia Unisys para a América Latina, que tem uma política de teletrabalho desde 2016.

Sem a necessidade de manter escritórios, empresas conseguem economizar ao alocar partes da equipe em casa.

Com a regulamentação do teletrabalho após a reforma trabalhista de 2017, deve constar no contrato quem vai arcar com os custos de infraestrutura e equipamentos necessários para a atividade, como internet e computador.

"A lei não fixa que a empresa pague esse custo, mas que as partes negociem", diz Paulo Lee, advogado trabalhista sócio do escritório Crivelli Advogados Associados. "Se o trabalhador não conseguir colocar no contrato de trabalho, por escrito, que a empresa vai arcar com esse custo, ele vai ter que pagar."

Segundo o Banco do Brasil, que fez um projeto piloto de teletrabalho com mais de cem funcionários, houve um aumento de produtividade.

De acordo com Jean Carlos Nogueira, diretor de recursos humanos da Gol, que tem cerca de 900 funcionários de call center trabalhando de casa, a prática diminui o absenteísmo, já que não há dificuldades de deslocamento.

Por lei, quem faz home office hoje não está sujeito a controle de jornada. Ou seja, o trabalho deve ser mensurado por produtividade, não por horas de expediente.

"O empregador não tem como verificar que horas o funcionário começou a trabalhar, quando parou para almoçar", diz Daniela Yuassa, advogada trabalhista do escritório Stocche Forbes.

Em teoria, desde que se entregue tudo dentro do prazo, é possível administrar o tempo como quiser. Na prática, pode não ser tão vantajoso para o empregado.

"Na empresa você sabe que vai entrar às 9h e sair às 18h. O resto você tem para seu lazer. Isso não acontece quando você trabalha em casa, porque o local de descanso também é de trabalho. Dependendo da situação, é mais prejudicial do que benéfico", diz Paulo Lee. E, como não há jornada, quem trabalhar mais não recebe hora extra.

Para as empresas, fica difícil disseminar sua cultura empresarial, tarefa mais fácil com a proximidade. Também não funciona bem em equipes em que os gestores não confiam nos funcionários.

Para Josué Bressane, sócio-diretor da consultoria Falconi Gente, porém, isso não deveria ser um entrave para implementação do teletrabalho.

"As pessoas acham que têm controle sobre o funcionário pelo fato de ele estar ali, mas não têm. Não sei se ele está falando com nosso cliente ou se está no WhatsApp com alguém de fora", afirma. "Ou você entende que é uma mudança de hábito ou não vai dar certo."

*

O QUE DIZ A REFORMA TRABALHISTA

JORNADA
Não há limite para as horas trabalhadas nem pagamento de hora extra. Empregado e empresa devem acordar a quantidade de tarefas

INFRAESTRUTURA
A lei não exige que a empresa pague por computador, telefone e internet. Caso haja um auxílio, deve constar no contrato ou o funcionário arca com todos os custos

BENEFÍCIOS
São os da CLT, como férias e 13º. O vale transporte só é obrigatório se o funcionário ficar um ou dois dias no escritório. Já o vale refeição, não previsto em lei, deve ser dado normalmente caso seja prática da empresa

ACIDENTES
O empregador deve instruir o funcionário sobre como evitar acidentes de trabalho e fazê-lo assinar um termo de responsabilidade. Em caso de acidente, a empresa pode alegar que não tem como saber se ele trabalhava no momento

TROCA DE REGIME
Para mudar de presencial para teletrabalho, empregador e funcionário devem concordar. Se a mudança for inversa, a empresa deve avisar no mínimo 15 dias antes

Fontes: Paulo Lee e Daniela Yuassa, advogados trabalhistas

http://www1.folha.uol.com.br/sobretudo/carreiras/2018/02/1955267-politica-de-home-office-e-vantajosa-para-empresa.shtml 

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