Mãe é impedida de usar banheiro de parque aquático com filho de 6 anos

Publicado em 11/08/2017 às 17h14

FONTE: PORTAL BAND

 

sexta-feira, 11 de agosto de 2017 - 16h12 Atualizado em sexta-feira, 11 de agosto de 2017 - 17h16

Mãe é impedida de usar banheiro de parque aquático com filho de 6 anos

Caso aconteceu no Beach Park; mãe foi informada que meninos com mais de um metro não podem frequentar o banheiro feminino

 
Caso ocorreu no Beach Park, em Fortaleza / Reprodução/Instagram Beach Park
Caso ocorreu no Beach Park, em Fortaleza
Reprodução/Instagram Beach Park
 

O que era para ser um dia repleto de diversão terminou com uma grande frustação e constrangimento para mãe e filho. A servidora pública Renata Abido Alves, de 39 anos, e o filho de 6 anos iriam passar o dia no Beach Park, em Fortaleza, no Ceará. Entretanto, os problemas começaram na hora de procurar um banheiro feminino para dar banho no filho.

Para a surpresa de Renata, ela foi expulsa do sanitário, já que uma “regra” do parque diz que meninos acima de um metro de altura não podem usar o chuveiro no banheiro feminino.

A servidora questionou: “Como eu faço pra usar o banheiro, seja o toalete ou o chuveiro, após passar o dia no parque? Meu filho deve esperar sozinho do lado de fora? E ele terá que tomar banho sozinho no banheiro masculino?”. Ela não teve respostas do funcionários do parque, que se limitaram a repetir a regra. 

De acordo com Renata, a única alternativa oferecida no momento foi o fraldário. “Não foi suficiente porque só atendia às necessidades fisiológicas dele e, mesmo assim, o sanitário era minúsculo, para bebês em desfralde”, explicou. “Meu filho usou o fraldário uma única vez para fazer xixi, eu fiquei sem ir ao banheiro, com medo de deixá-lo sozinho ao lado de fora.”

Mais uma vez, Renata tentou conversas com responsáveis pelo parque para obter uma resposta mais adequada.  A funcionária, desta vez, justificou a regra e disse que “as mães de meninas se sentiam incomodadas com a presença dos meninos”.

“Em um primeiro momento, fiquei incrédula com o argumento apresentado. Tentei contra-argumentar expondo o perigo a que o meu filho estaria submetido, tanto esperando sozinho por mim ao lado de fora, quanto frequentando sozinho o banheiro masculino. Depois, fiquei indignada.”

O caso ocorreu no dia 27 de julho, mas Renata só resolveu pulicar um relato no Facebook nesta semana, mostrando indignação e chamando atenção para o assunto que é mais comum do que parece e afeta diversos pais e mães. 

Resposta

No último dia 9, Renata foi contatada por um representante do parque aquático que, segundo ela, reconheceu a “falha no serviço” e prometeu mudanças. 

Em contato com o Portal da Band, a assessoria de imprensa do Beach Park informou, em nota, “que o empreendimento possui três banheiros famílias dentro do parque aquático, sendo um equipado com sanitários para o uso de adultos e de crianças. Os outros dois banheiros famílias, que hoje possuem sanitários apenas para crianças, serão ajustados para que também possam atender os pais. Além disso, chuveiros do lado de fora dos banheiros, como por exemplo na parte externa das saunas, podem ser utilizados pelos visitantes e seus filhos”.

Além disso, eles também informaram que entraram em contato com a cliente por telefone e se comprometeram, ainda esse mês, fazer os ajustes citados.

Manifesto de um pai

Pai de duas meninas, uma de oito e outra de cinco anos, o blogueiro e fotógrafo Marcio Nel Cimatti, de 40 anos, também já passou por situações difíceis sozinho com as filhas. A última delas foi durante um show infantil dentro de um parque, onde não encontrou nenhum banheiro familiar.

Márcio e as filhas costumam viajar
Márcio e as filhas costumam viajar (foto: arquivo pessoal)

Segundo Marcio, a filha mais velha já não se sente mais à vontade em frequentar banheiros masculinos acompanhada por ele. “Um segurança me impediu de levá-las ao banheiro feminino e masculino”, contou. “Depois de muito insistir, ele me deixou entrar no banheiro exclusivo para deficientes. As meninas estavam quase chorando nessa hora. Uma situação horrível”, relatou.

Cansado deste tipo de problema, o fotógrafo resolveu criar um manifesto pedindo mais banheiros familiares e fraldários dentro de banheiro masculino, principalmente em locais de grande circulação. “A ideia foi espalhar pela internet juntando forças com outros pais e mães. O legal é chamar atenção para o assunto”, disse.

Outros casos

Para a bancária Andréia Cesila, 39 anos, esse tipo de situação já se tornou comum na rotina dela. Mãe de um menino de dois anos, ela explica que a maioria dos lugares com muita circulação não oferece uma estrutura adequada aos bebês. 

Após se deparar com a falta de um fraldários dentro do banheiro de um cinema, Andréia chegou à conclusão de que existe um “descaso” com esse tipo de público.

“Há uma lei de acessibilidade, com banheiros adaptados, mas para uma situação simples, como estar com um bebê, não existe nenhum preparo. A minha sensação é que existe uma exclusão não aos bebês - que todos acham lindos e fofos - e sim às mães que não tem o ‘direito’ de se distrair ou se divertir apenas pela condição de ser mãe e ter uma criança pequena para cuidar”, concluiu.
 

O contador Thiago Dias, de 33 anos, também já vivenciou diversas situação como essas citadas acima. Hoje, ele inclui no checklist a ida ao banheiro antes de sair de casa. 

Com uma filha de cinco anos, o pai já chegou a levar a garota para fazer xixi perto de uma árvore na parte de fora de um supermercado, já que o banheiro masculino do local não tinha estutura suficiente. “Não sei o que era pior: a sujeira, o banheiro cheio ou tentar explicar o que era o mictório para ela.”

O que diz a lei?

De acordo com o diretor adjunto do Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp), Thiago Rodovalho, não existe uma lei federal que determine que se tenham banheiros familiares nos estabelecimentos com grande público. Entretanto, há leis federais e municipais a respeito. 

"Entretanto, nós temos uma norma geral que até 12 anos, ela ainda é uma criança, ou seja, presume-se que, pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, ela deve estar acompanhada dos pais ou responsáveis", explicou. 

Para Rodovalho, os estabelecimentos precisam se adaptar. "São duas alternativas: ou os locais permitem a companhia da mãe ou pai no banheiro ou disponibilizam um banheiro família. O que não pode é determinar que a criança use o local sozinha. Temos diversos problemas de segurança, como pedofilia e sequestro. A criança jamais deve estar sozinha no banheiro. Não faz sentido", disse.

O advogado também explicou que, dependendo do Estado ou cidade que ocorreu o caso, cabe ação judicial contra o estabelecimento.

http://noticias.band.uol.com.br/cidades/noticia/100000870976/mae-e-impedida-de-usar-banheiro-de-parque-aquatico-com-filho.html 

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